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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Merece Poema

Sim, merece um poema porque de forma tão bela aconteceu...
E o que é a Poesia senão a mais bela união corpo-alma?
A tradução explícita e corajosa da emoção do encontro!
Daquilo que vem, sem explicação,
e nos invade sem pedir permissão.

Pois assim foi: fomos postos lado a lado,
naturalmente, e sem planos de antemão!
Encontros de olhares, distintas realidades
que se cruzaram em distantes ares.
Mil gentilezas, carinhos ao longo do caminho,
sol, natureza vibrante, arte e até estrelas vimos!
E, por dentro, receios, expectativas, explicações tentativas
(ai, que vontade louca de aterrisar como um meteoro sobre ti, mas me contenho).

Espero o momento e ele vem.
Olhos nos olhos, tuas mãos fortes e suaves nas minhas
Sem pressa e algo-sem-jeito procuro por ti e te encontro.
A entrega total vem com força
nos arrebata e assim se estabelece: forte e linda.
Descobrir-te tem gosto de vida!

Carinhos, beijos, toques,
palavras-gemidas ao pé do ouvido,
prazer feito nosso a cada minuto que corre.
Madrugada transgressora das regras.
Atleticamente nossos corpos se unem por horas
quando deveriam descansar para o desafio que nos espera.

Porém pervertemos a ordem...
E sabiamente a energia da vida impera!
Hormônios em harmoniosa guerra.
Não quero senão isto:
a linguagem que em nosso corpos a Poesia expressa!

* para meu amor, Marcelo.

Domínio Teu

Inspiração: vem e em mim fica!
Quero-te vivendo assim, eterna e plena
Encontra teu repouso e aqui fica
E por favor deixa-me tensa,
Domina-me de tua maneira intensa
Atira-me ao movimento da criação
Faze-me tua presa
Tua morada, teu habitat natural
Mescla tudo em mim
E me joga ao desconhecido
Faze-me madura
Faze-me tua
Faze-me adulta
Ah, dona de mim, faze-me para sempre amar assim...

Amor livre

Amo e assumo!
Meu ser é livre e vai ao teu encontro sem medo.

Amo e comungo.
Entrego-me e realizo-me no dançar de nossos corpos unidos pela paixão.

Amo e conjugo.
O verbo é presente e se traduz na linguagem dos olhares, gestos, suspiros e beijos.

Amo e contudo não deixarei de dizê-lo
porque não o ouço...
Eu o sinto entre nós e disso não duvido.

Amo e construo.
Amo e retribuo.
Amo e não julgo.

Just me and myself

Lanço-me nesta página branca buscando elementos para preenchê-la.
Busco compreensão e talvez conforto para o vazio
e o montante diverso que convivem
simultaneamente ou alternadamente em mim
(mudo esta perspectiva tão destoante de acordo com o momento da minha emoção).

Remeto-me ao efeito das escolhas e seus impactos.
Sofro silenciosamente e escondo de mim mesma
o estranhamento que me assola.

Forço uma naturalidade aparente?
Sou mesmo assim?
Esta suposta dona (egoísta/serena/covarde/brava) da minha vida?
E quanto às outras vidas todas que implico por meus atos, pensamentos e emoções?
Sou capaz de suportar a realidade da minha acidez e até mesmo infertilidade
que enxergo em tantos pequenos-grandes momentos ?

Instantes... A força dos segundos, que bem conheço...
A soma dos minutos, das horas, a inconstância.
Posso viver em mim? A que lugar vou?
A que sirvo neste mundo onde todos buscam sentidos sem sentir-se?
De que matéria sou feita? Eu me moldo?

Velhas perguntas, que me pedem renovação para que sejam respondidas.
Visito minh´alma e ela me acolhe e me conforta.
Levando-me a mim mesma ela me põe a caminhar.